você é um milagre violento e irreprimível. o vácuo do cosmos e as estrelas queimando nele têm medo de você. dado tempo suficiente, você nos aniquilaria e substituiria pelo nada – apenas por acidente.
fogo, queimando. dentro. na cidade, em toda parte, está acontecendo. como o mais alto dos infernos, um caleidoscópio de vidro contorcido. danação eterna.“
ivson silva
as mãos os seres os imãs
ivson silva
canalização
o cair do azul sobre o berço da noite
ivson silva
trajetórias afóticas / peixe abissal
ivson silva
sublime / laço-véu
às vezes eu não sei o que dizer, apesar de querer dizer tanto. de repente, deixo de saber como dizer. termino dizendo olhando dentro do olho, como costuma acontecer. a lua em peixes desceu novamente e pela primeira vez não bateu azul. e eu tinha tanto pra falar, mas coloquei tudo nessas imagens enquanto as fazia, sem perceber. agora não me sobrou palavra. acho que vou deixar assim mesmo. talvez se elas entrarem no fundo do teu olho, você encontre o fundo do meu olho e a gente se entenda assim. weird fishes.
nós não estamos distantes, nós não estamos separadas. eu dissolvo todas essas linhas que nos isolam e rompo com a ideia de me sentir inacessível. toda experiência humana é compartilhada. eu sei que o sublime envolve todas nós. o que ressoa comigo, ressoa com você.
eu ainda tô aprendendo. nem sempre sei o que fazer. mas vou sentindo.
todas as luzes se apagaram, tudo ficou tão escuro. achei que dava conta, já que passo a maior parte do tempo no escuro e sozinho, por prazer. achei que eu já sabia do rolê, que eu não sentia mais medo, que nem como escrevi em setembro. mas essas noites caíram lentamente sobre mim como um véu azul escuro, flutuante, descendo lentamente e cobrindo o meu rosto e o meu corpo, fechando os meus olhos e me transportando pra outros lugares. lá, onde ficam todas quase todas essas águas que eu guardo. memórias de outros tempos, fantasmas da minha própria imagem, que deixaram meu corpo com um sentimento que ainda me faz desaparecer, mesmo que não faça mais sentido. no corpo ainda faz. o corpo sente o peso das memórias, mesmo que já atravessadas racionalmente. senti medo.
hoje eu me levantei no impulso, escrevi tanto. escrevi agressivamente. escrevi porque precisava escrever. mas escrevi sem amor. entendi. eu sinto falta do amor. por conta dos medos, das feridas, dos traumas e da sensação de ameaça, eu me afastei do amor. me vi trazido a esse ponto de novo. não adianta, quantas vezes já dei de cara com essa parede encharcada? eu preciso abrir. eu preciso deixar o amor me inundar. e eu sei que esse é o caminho, mas sinto medo. já me vi circulando tantas vezes em espiral por esse processo. eu sou essa rainha de copas, de cálice fechado e o meu sonho mora na abertura. essa senhora das águas entende que o poder é a partilha, é molhar e se permitir ser molhada. deixar tudo fluir e refluir com o universo inteiro.
que nem desejo, sonho e encantamento, amor é outro de meus nomes, e eu quero meu nome completo, do jeito que eu vim aqui. mas eu ainda sinto medo de entrar em contato com o amor novamente. meu corpo caiu na ilusão de que o amor engana. eu quero me desfazer disso, o amor é minha maior proteção.
eu preciso do amor. mais do que nunca, eu preciso do amor. preciso deixar o amor me iluminar mais uma vez. preciso chamar o amor pra que ele me proteja e cuide das minhas feridas. quero deixar o amor me limpar de todas essa poluição. preciso chamar o amor pra que nele eu possa me elevar e ser o que eu sou honestamente. minha verdade mais profunda é o amor generoso que se espalha como luz do sol. meu corpo é o veículo do amor divino e universal. eu sou dos peixes. não quero mais me perder disso.
até o ano que vem, lunação de escorpião.